Assaltaram a gramática…

Os Paralamas do Sucesso já cantavam nos anos 80, alguns visionários já proclamavam há tempos, mas o que antes parecia lenda é hoje um facto: A reforma ortográfica da Língua Portuguesa passará a vigorar a partir do próximo ano.

Terror para os puristas, alívio para os empresários que mantêm negócios com as “terras d’além mar”, a reforma do Português será um desafio a todos os oito países falantes da língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste.

cplp

Portugal terá cerca de 1,6% de suas palavras com a grafia alterada, em Brasil as mudanças serão menores, apenas 0,45%. Apesar disto as pronúncias das palavras não serão alteradas, os portugueses podem continuar a dizer /óptimu/, apesar de escreverem como os brasileiros, “ótimo”.

Como deve ficar a situação para os jornalistas? As regras devem começar a ser usadas em 2008, mas as antigas palavras ainda serão usadas por algum tempo. Segundo Luís Fonseca, secretário-executivo da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP), haverá uma época de transição, em que tanto as novas quanto as antigas regras serão aceitas. Abaixo estão listadas algumas das novas regras que farão com que 230 milhões de pessoas ao redor do planeta escrevam da mesma maneira.  

As paroxítonas terminadas em “o” duplo, não terão mais acento circunflexo. Os brasileiros a partir do próximo ano vão sentir enjoos nos voos para Portugal.  

– Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus decorrentes, ficando correta a grafia “creem”, “deem”, “leem” e “veem”.  

– O trema desaparece completamente. A partir de então poderemos comer “lingüiça” sem peso na consciência, e na “sequência” não mais existirão aqueles dois pontinhos por cima das palavras.

– O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de “k”, “w” e “y”.- O acento deixará de ser usado para diferenciar “pára” (verbo) de “para” (preposição).  

– Haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas. Sendo assim, os participantes de uma “assembléia” continuarão expondo suas “ideias”, em “heroicos” actos.   

– Em Portugal, desaparecem da língua escrita o “c” e o “p” nas palavras onde ele não é pronunciado. Os portugueses, que já diziam ação, ato, adoção e batismo, poderão também escrever assim.  

– Também em Portugal elimina-se o “h” inicial de algumas palavras, como em “húmido”, que passará a ser grafado como no Brasil: “úmido”.

– Portugal mantém o acento agudo nas letras O e E tônicos que antecedem M ou N, enquanto o Brasil continua a usar circunflexo nessas palavras. Como por exemplo académico/acadêmico, génio/gênio, fenómeno/fenômeno, bónus/bônus.

Nota: O texto tem, propositalmente, algumas palavras em português europeu, nossa redatora não está a ficar louca…

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