1808

Há 200 anos chegava ao Brasil a corte portuguesa de D. João VI, na época ainda Príncipe Regente. Um homem que nunca havia sido treinado para ser imperador, assumiu a coroa devido à morte prematura do irmão mais velho, deparou-se com uma situação que não estava pronto para tomar, se alinhar com Napoleão como fizera a Espanha, ou declarar-se aliado inglês.

Cercado de todos os lados D. João tomou a única saída que pôde vislumbrar, a fuga às pressas para uma de suas colônias. Esse ato desesperado acabou por desencadear um dos capítulos mais importantes da história moderna, isso porque a vinda da corte portuguesa representou o primeiro e único contato entre a metrópole e sua colônia.

O encontro acabou por ser um choque para todos, já que o Brasil do século XVIII ainda era muito atrasado mesmo para uma colônia, em especial pelo modo com que os portugueses colonizaram o território, e mesmo a corte lusitana ainda beirava a medievalidade. A união entre metrópole e colônia acabou por ser extremamente produtiva, o Brasil começou finalmente a prosperar; a Inglaterra, que dependia do comércio, conseguiu um novo mercado, e a corte portuguesa escapara de Napoleão.

O resultado foi tão positivo que D. João chegou a considerar a possibilidade de não retornar à Europa, mesmo depois da queda de Napoleão. Fato que não procedeu devido tanto à pressão em Portugal quanto no Brasil.

Interessante é como essa fuga, covarde até certo ponto, acabou por alterar todo o cenário mundial da época. Caso D. João não partisse de Portugal é provável que hoje o território português não mais existisse; além disso a vinda dele desencadeou o já tardio desenvolvimento nacional, e sofremos suas influências até hoje; mesmo a Inglaterra poderia ter perdido a guerra, pois sem a abertura dos portos ficaria sem um mercado para negociar, e com isso não conseguiria financiar suas outras atividades, como por exemplo a bélica.

Aos 200 anos só posso dizer que nunca uma pessoa teve tamanha personalização do ditado “se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”.

Até a próxima semana.