Deveria existir um exame como o da OAB para a formação dos jornalistas?

Profissionais de comunicação, professores e estudantes universitários discutem se deveria ou não existir um exame como o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para os jornalistas.

No início do mês de outubro, quando foi divulgado o resultado da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio de Janeiro (OAB-RJ), e 90% dos inscritos foram reprovados, surgiu então a discussão: Deveria existir um exame como o da OAB para a formação dos jornalistas?

Já que os jornalistas são profissionais liberais como advogados e trabalham com a cidadania do país, seria necessário a realização de um exame para legitimar a formação deste profissional que está a serviço da sociedade?

Uma questão que dá panos a manga e divide opiniões.

Em entrevista, o presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, disse que “esse resultado só pode ser creditado ao mau preparo acadêmico e assim coloca em xeque o ensino jurídico “. Ele aponta, ainda, outra questão. “Quase todo dia um curso novo é autorizado. O Ministério da Educação (MEC) não tem cumprido sua obrigação”. Muitas outras razões foram apontadas, como, por exemplo, a grande quantidade de faculdades espalhadas pelo país.

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, diz que isso nunca foi alvo de discussão. “Os advogados são profissionais autônomos, com uma qualificação determinada, e a OAB tem que oferecer garantias de competência técnica e jurídica. No jornalismo, quem avalia é o mercado. Nenhuma empresa contrata quem não for qualificado, o mercado será sempre o árbitro da qualificação”.

Já, Helio Schuch, chefe do departamento de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), acha uma proposta interessante. “O Enade e outras classificações avaliam as escolas, e não os alunos, que só contam com o registro no Ministério do Trabalho. Não teria por que ser contra um exame tipo o da Ordem. A analogia é muito boa.

Em contra ponto, destaca Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, que seria necessário haver um controle social, e não “um funil de profissionais”. Segundo ela, seria como um “exame corporativista”.

É uma discussão que envolve muito mais que opiniões, fazer jornalismo vai muito além do que qualquer avaliação. Pois, muitos profissionais recém-formados só terão mesmo a oportunidade de aprender e mostrar o que aprenderam exercendo a profissão. Não que outros profissionais não tenham que fazer o mesmo. Mas uma avaliação, como disse Bentes, irá formar um funil de profissionais onde, no jornalismo, isso nunca deveria acontecer.

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