A queda

Na última semana o mundo testemunhou um fato que por alguns já era esperado, mas para outros foi um choque. Sem fazer demagogia, ou mesmo, propagar questões ideológicas o mundo presenciou o fim de um tempo; Fidel Castro renunciou ao cargo de presidente da nação cubana.

Para alguns o fim da era Fidel em Cuba representa um golpe para o socialismo, já decadente a anos, e mesmo uma baixa inestimável para a “esquerda” mundial. De fato durante muitos anos Fidel foi um ícone pop na cultura esquerdista, talvez perdendo apenas para seu companheiro “Che” Guevara; entretanto a queda da URSS no início dos anos 90 foi uma forte provação ao líder, e desde então Cuba vinha se arrastando cada vez mais dentro do cenário político mundial.

Muitos até irão defender que se Cuba agonizava não era culpa de Fidel e sim do embargo dos EUA, mas para tudo tem seu preço e a manutenção do regime era muito alto para Cuba pagar. De fato o embargo comercial pesava, mas o governo cubano havia sido vencido e a abertura se mostrava inevitável.

Um segundo grupo vai saldar a renuncia, com a saída muitos acreditam que Cuba vai finalmente abrir-se ao mercado externo, o neo-liberalismo vai invadir a ilha. Fato é que assim como acontece com todos os líderes carismáticos (não possuem sucessores) com saída de Fidel o regime vai acabar, é apenas uma questão de tempo; Cada vez mais Raul, o sucessor no governo, mostra que Cuba caminhará para o modelo chines. Uma abertura comercial com forte controle político com Estado.

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Desculpas

Excepcionalmente hoje Guilherme Prado não escreverá no Ágora.

Tempo de Reflexão

Nas últimas semanas acompanhei bem de perto o desfecho das eleições nos EUA, que ainda estão indefinidas. Com a desistência de Mitt Romney pelo partido Republicano a vaga deve sobrar mesmo para John McCain que irá disputar as eleições com o candidato Democrata nas eleições; já pelos Democratas a briga fica cada vez mais intensa e mais tensa, de uma lado temos Hilary Clinton (senadora e ex-primeira dama), do outro Barack Obama (senador negro).

Se no caso dos Republicanos a decisão é quase certa, no partido rival cada dia mais as coisas ficam nebulosas, isso porque tanto Hilary como Obama tem o mesmo ponto forte e fraco, a mudança. Ambos representam algo com que o eleitor dos EUA sente que precisa, mas gostaria de evitar, a necessidade de mudar a visão do seu país tanto no interior como no exterior.

Resta agora vermos como tal mudança irá se apresentar dentro desta democracia única. Digo isso, porque conversando com entendidos de política norte-americana nos últimos dias todos me apontaram algumas ressalvas quanto as eleições. Primeiro, essas prévias não adiantam de quase nada, é mais uma grande boca de urna do que uma escolha; isso porque cada estado do país decide como funcionam suas prévias, e quem vota nelas. Mesmo assim quem ainda decide quem vai ser o representante do partido são os delegados, estes sim membros do partido. É eu sei, você agora está se imaginando como nossas convenções nacionais parecem organizadas.

Segundo mesmo depois de ser “eleito” a candidato à presidência o candidato passa agora a depender da votação em alguns estados chave. Isso porque nos EUA as eleições funcionam de uma forma diferente, quem ganhar no estado leva todos os votos do mesmo. Assim de pouco adianta ganhar em estados como o Texas, e perder na Califórnia (por isso da briga em 2000), ou Nova Iorque. Por isso algumas campanhas focam em apenas alguns estados.

Por último e não menos importante é o peso dessa mudança, o eleitor norte-americano é extremamente conservador, embora entenda que hoje é necessário mudar, talvez o que os Democratas lhe propõe seja ainda um tanto radical. Resta esperar para ver como os eleitores reagiram. Se preferem arriscar na nova ordem, ou preferem outro mandato Republicano ao ver uma mulher ou um negro no Casa Branca.

Carnaval Coporativo

Para quem pôde acompanhar as notícias que foram além do desfile das escolas de samba, tanto do Rio como de São Paulo, pôde se deparar com mais um escândalo no governo federal. Tá bem, eu sei que nesta época do ano é difícil, quem vai preferir ver a cara da Dilma Rousseff falando de outro escândalo no orçamento, sendo que podemos ver a bunda da Ângela Bismarch em HDTV.

Certo, para quem não acompanhou na última semana, o governo federal se deparou com um rombo no orçamento devido a gastos no cartão corporativo de alguns ministros do segundo escalão como a do Meio Ambiente, Marina Silva do PSB. Para evitar que este pequeno descuido do ministério tivesse a chance de tornar-se um novo escândalo como o “mensalão”, o presidente Lula logo tratou de enviar uma série de mudanças que tornam o controle do cartão mais rígido, exceto para ele.

Com essa pequena medida paliativa, o possível escândalo logo foi abafado e esquecido, claro que com a ajuda do carnaval isso também não foi problema. Nada melhor para político do que crise em véspera de feriadão; se ficar recebe mais, se não entra em recesso e quando voltamos a rotina a crise já caiu no esquecimento.

Para todos, que como eu, não são fãs de desfile de escola de samba, até porque oito horas pulando é coisa de canguru, uma boa quarta-feira de cinzas.