Deus abençoe o consumo

Para quem tem o costume de acompanhar essa coluna vai logo lembrar que no meu segundo artigo (“Quanto maior a altura maior a queda”) eu falei justamente sobre a queda do império americano. Mesmo quem não o leu, mas acompanhou os noticiários nos últimos dias, pode ter a mesma sensação; o império já caiu, e a invasão bárbara já esta mais do que instalada.

Há vários anos tento convencer minha mãe a investir na Bolsa de Valores. Ela sempre muito desconfiada nunca aceitou a minha idéia, e até com razão, pois quem passou pelo plano Collor como ela sabe muito bem o valor do investimento. Por uma vez cheguei até a levá-la ao banco, mas o resultado foi a mesma negação de sempre e com as mesmas frases: “Eu não confio” e “Quando for o seu dinheiro aí eu quero ver você investindo”. Na última semana, então, enquanto jantávamos e assistíamos a um jornal ela virou para mim com um olhar de triunfo, dizendo: “Viu, olha lá o que está acontecendo com quem investiu na Bolsa”.

De fato para os pequenos e recentes investidores do mercado de ações a crise imobiliária nos EUA pegou todos com as calças curtas, e isso porque estávamos todos confiantes que o bicho-papão na verdade não passava de um monstrinho; a quebradeira nas bolsas do mundo todo na semana passada entretanto rendeu prejuízos e muita dor de cabeça para os acionistas, sem citar os consumidores de modo geral.

Para regular a crise qualquer governo elevaria a taxa de juros e aumentaria os impostos em seu país, mas o presidente Bush anunciou um pacote econômico com as medidas inversas: ele abaixou a taxa de juros e os impostos. Se isso fosse em qualquer outro país do mundo as bolsas teriam novamente despencado e sabe-se lá para onde iria o dinheiro aplicado, entretanto somente nos EUA tal pacote poderia fazer sentido e acalmar o mercado mundial.

O consumismo norte-americano, reforçado pelo novo pacote econômico, veio para dar uma sobrevida a esse império já decadente e agonizante. O império irá de fato cair, mas enquanto os “romanos” e os “bárbaros” continuarem consumindo desenfreadamente, todos nós continuaremos olhando e admirando a beleza de Roma.

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