Veja São Paulo VERSUS  G1

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A reportagem da revista Veja São Paulo, de 1 de outubro deste ano (tudo bem, é antiga, mas o assunto, hão de concordar, está em pauta) é bastante clara: punks são delinqüentes, baderneiros, violentos, estúpidos, cultores de músculos, catalizadores de violência e, ainda, se organizam em gangues. Para quem lê, parece que não há outra alternativa, essa tribo urbana realmente é um grupo de pessoas sem escrúpulos tendo como  lema a palavra violência. De certo modo, o ponto de vista não está errado, porém, o que dizer de toda cultura alternativa punk que parte de um movimento desde a década de 1970, com características fundamentais como, por exemplo, o princípio de autonomia (”faça-você-mesmo”), a simplicidade, o estilo, a poesia, as artes plásticas, e tantas outras. Será que Veja São Paulo fez uma abordagem torpe do que hoje é o movimento punk?

A resposta? Não, pelo contrário. A revista abordou bem, afinal a cultura punk, em sua grande maioria, não é mais seguida e a violência acabou por ser adotada como mote pelos seus seguidores. Assim sendo, tratando de tão polêmico assunto os questionamentos são inúmeros. O complicado talvez seja saber como nomeá-los. Se antes os punks eram vistos apenas como anarquistas, os quais queriam lutar contra um sistema totalitarista, hoje se revestem de ideologias às avessas, que não somente pretende excluir indíviduos da sociedade como também consegue excluir eles mesmos do contexto social.

Que movimento é este que tem (ou tinha) como premissas anti-machismo, anti-homofóbia, anti-nazismo, anti-lideranças, que defende o amor livre, a liberdade individual e tantas outras coisas, e, em pleno século 21, pode ser um movimento que coage nordestinos, negros e gays? E que individuos são esses que se deixam coagir?A estes questionamentos, nada se faz complicado, apenas complexo. Assim, como relatado no G1, data também antiga, em 15 de outubro deste ano, se pode identificar os motivos, e pelos  mais banais possíveis:

São pelo menos seis mortes atribuídas a grupos punks e de skin heads este ano na capital. No dia 22 de junho, o garçom John Clayton Moreira Batista, de 19 anos, estava em um bar na esquina da Alameda Lorena com Rua da Consolação, nos Jardins, quando uma mulher vestida de preto pediu um isqueiro. Como não conseguiu o que queria, ela chamou dois amigos, que já chegaram agredindo quem estava no bar.

John foi atingido por facadas e morreu. Menos de quinze dias antes, o turista francês Gregor Landouar saía de um restaurante também nos jardins quando foi esfaqueado por quatro rapazes, vestindo roupas de skatistas. Dois deles tinham a cabeça raspada.

Em abril, o estudante Ricardo Cardoso, de 22 anos, também morreu depois de ser atacado a facadas na Rua Augusta, na região central da cidade. Uma discussão entre dois grupos punks rivais acabou em mais duas mortes em março. Os autores da agressão são pai e filho”. Os punks matam e por este motivo a Veja São Paulo indaga: “Eles têm ódio de quê?”.

Uma colocação precisa e que induz, você leitor, a refletir sobre o verdadeiro motivo do movimento. Não entendo como uma reportagem que degrine ao extremo a imagem do grupo, mesmo que, em seu primeiro parágrafo, esteja dizendo que dentro das cabeças pintadas de azuis, verdes e vermelhos dos punks, bem como dos “carecas” skinheads, não há “nenhum estofo intelectual para serem representantes, como costumam pregar, de qualquer corrente ideológica que seja, mas imbecilidade suficiente para sair por aí depredando, batendo e até matando”.

Covenhamos, nenhum veículo de comuniação crítico se apresentará isento diante dos fatos, algum partido ele precisará tomar, sendo correto desde que tenha fundamento em suas argumentações e que não se manipule a realidade dos fatos. Cobertura jornalística esta que contrapõe a do portal G1,  não apresentando absolutamente nenhum adjetivo ao grupo, tratando-o apenas de “homens” e/ou “mulheres” atuantes nos crimes. O fato é que, por se tratar de uma mídia eletrnônica, e como já citado na apresentação, imediatista, o portal não explana com tanta propriedade o fato, limita-se apenas em buscar acontecimentos que linquem com a manchete em questão. O que não o impede de também ser um veículo formador de opinião social.

É interessante dizer que não se pode generalizar, mesmo que a maioria das pessoas do grupo o faça, pois um conflito posterior. pode ser ocasionado. Uma ressalva na abordagem da revista Veja São Paulo, que trata “todos” os punks como delinqüentes, baderneiros, violentos, estúpidos, cultores de músculos e catalizadores de violência. A classificação pode não estar errada, porém não necessariamente deveria estar tão imponente.

Para ler a reportagem da Veja São Paulo, “Eles têm ódio de quê?”, clique aqui.

Para ler a reportagem do G1, “Punks matam jovem por desconto em pizza”, clique aqui.

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